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Apoio psicológico

Aspectos emocionais da esterilidade: Um guia para os pacientes

Muitas vezes dá-se por garantida a capacidade de conceber. Quase todas as pessoas desejam ter filhos, pelo que, assim que uma pessoa descobre que tem um problema de infertilidade, esta descoberta pode causar dor e problemas emocionais.

Se você e o seu parceiro estão a vivenciar uma experiencia semelhante, não são os únicos. A infertilidade afecta 1 em cada 12 casais, mas como o problema não é visível ou palpável, as outras pessoas não entendem o stress que poderão estar a atravessar.

Cada um responde à infertilidade de forma diferente, dependendo da sua situação particular, das suas estratégias de confrontação e da sua personalidade. O impacto emocional deve ser confrontado antes, durante e após o tratamento de infertilidade. A preparação para este difícil período constitui uma grande ajuda. Com o apoio emocional e uma boa preparação mental, o sofrimento que a esterilidade pode desencadear pode ser reduzido.

O objectivo da Unidade de Psicologia da IVI consiste em tratar alguns dos sentimentos que terão que enfrentar como indivíduo, paciente e casal, à medida que forem tomando decisões ao longo do tratamento.


  • Quando uma pessoa descobre que tem um problema de infertilidade

    Para enfrentar a infertilidade, é necessário ter energia, tanto física como psicológica, e é importante que tanto você como o seu parceiro estejam preparados para as emoções que vão vivenciar. Algumas das emoções mais comuns são:
    Choque, Negação, Culpa, Ansiedade, Depressão, Desesperança, Raiva, Perda de controlo, Solidão
  • Momentos particularmente difíceis

    Vão existir alguns períodos do dia que o farão sentir-se mais deprimido e impotente. Mas se estiver emocionalmente preparado, compreenderá que estas ocasiões podem ser geridas. É importante que se lembre que não tem que participar em actividades que o deprimam. Por exemplo, em vez de participar nos cuidados de um bebé, pode planear uma actividade diferente para esse dia.

    Também deve estar preparada para situações que inicialmente serão simples de enfrentar, mas que neste momento se convertem em circunstâncias insuportáveis. Por exemplo, participar em conversas sobre a gravidez ou sobre crianças, ou em conversas com amigas grávidas durante o seu tratamento de esterilidade. É possível que as férias e os aniversários lhe proporcionem um stress adicional pelo facto de se lembrar que o tempo passa e que não tem filhos. Lembre-se que se encontra no caminho certo para o conseguir.

    Outra dificuldade pode consistir nas visitas aos médicos. Vai ver mulheres grávidas na consulta, e vai enfrentar resultados negativos nos testes. Você e o seu parceiro vão considerar a possibilidade de abandonarem o tratamento. Geralmente, muitas mulheres vivem o começo de cada ciclo menstrual como um acontecimento traumático, desde o momento que tem a indicação que não há gravidez depois de um mês de esperança, e a necessidade de começar tudo de novo.

    Com o objectivo de enfrentar estas situações, na Unidade de Apoio Psicológico da IVI contribuiremos para construir essa força emocional e para que se prepare para estes acontecimentos que poderão vir a ocorrer. Reflicta sobre este tipo de circunstâncias e questione-se como reagiria. Uma boa terapia consiste em falar com pessoas que vivenciaram as mesmas emoções. Observe como se desenvolveram e o que elas têm diferente de si.

  • Tomar a decisão

    A tomada de decisões é uma parte integrante da experiência de infertilidade. Existem opções, como a Fecundação in Vitro, a doação de esperma ou de óvulos, as técnicas cirúrgicas, etc., que podem produzir diferentes reacções em cada um dos membros do casal. O membro do casal com o problema médico específico pode encontrar-se mais pressionado no momento de exprimir os seus desejos. É necessário que se sinta livre para o fazer. Os homens por vezes preocupam-se em escolher uma modalidade de tratamento que exija técnicas invasivas, como por exemplo, a cirurgia ou as punções diárias, nas suas parceiras. Outros casais podem achar que têm "regras de jogo diferentes" relativamente ao tempo, ao esforço e à economia que pensam dedicar ao tratamento. Para muitos casais, a decisão sobre "quando dizer basta" pode ser uma das coisas mais difíceis de discutir.
  • O tratamento

    Após vários meses de testes e da identificação do seu problema em particular, poderá iniciar o seu primeiro tratamento, ou já ter passado por algum ciclo de reprodução assistida. Na generalidade, o seu médico e a equipa responsável pelo seu tratamento utilizarão termos que para si provavelmente eram anteriormente desconhecidos. Não hesite em perguntar tudo o que necessita saber acerca da medicação ou sobre a técnica em concreto para o seu caso. Geralmente, nas consultas dos Serviços de Medicina da Reprodução, poderão disponibilizar-lhe documentação gráfica e/ou visual, que o ajudam a mantê-lo mais bem informado sobre o que significa o acompanhamento, os aparelhos mecânicos utilizados para o seu tratamento, as técnicas que desconhecia até ao momento, ou os medicamentos que lhe vão ser administrados. Pode ser útil realizar uma lista de questões para se lembrar de as colocar no momento da visita.

    O Programa de Apoio Psicológico da IVI é composto em média por quatro ou cinco sessões, nas quais os pacientes são treinados em técnicas cognitivo conductais e em técnicas de autocontrolo. Está concebido para combater e reduzir os sintomas da ansiedade e do stress, para melhorar as dificuldades de comunicação com o ambiente que o rodeia (família, amigos, relações laborais), e com a equipa médico-sanitária. Se pretende recuperar a auto-estima, melhorar a vida sexual do casal: desde aprender a relaxar-se até desenvolver capacidades psíquicas e sociais, bem como superar e combater o stress, conhecer-se melhor ou aprender a enfrentar as situações difíceis. Mantendo uma atitude positiva e a ansiedade sob controlo, os pacientes integram-se em melhores condições em todo o tipo de TRA, aumentando a percentagem de êxito do tratamento.